Lisboa ano 2019

A cozinheira, o francês, o surfista, o casal africano, a fadista, o americano e um casal e o seu gato.

Numa mesa de uma colectividade uma moça de cabelos pretos sentada a fazer um puzzle de mil peças e um francês que se senta ao seu lado. Analisam cuidadosamente cada peça que vão colocando no lugar certo por entre pequenos goles de vinho tinto. Na mesa ao lado um casal africano e um amigo bebem cerveja de garrafa por entre acenares de cabeça simpáticos a quem entra. Atrás deles um casal na casa dos trinta joga snooker sob o olhar do gato que insistem trazer todas as vezes que aqui vêm numa mochila verde alface. No ar o som de um concurso de TV e um homem magro que adivinha quase todas as respostas. Ao canto, ao lado da biblioteca e onde se acumulam livros e jogos de mesa, um homem de meia idade e uma sopa de legumes servida pela mulher com ar mais jovem e de modos meigos, mesmo ao lado de um homem e uma mulher numa conversa sobre filmes quase oscarizados, cantores esquisitos e personagens de um humorista famoso. Na mesa à entrada, um jovem com ar de surfista e uma imperial e um queijinho de ovelha, na mesma mesma mesa onde se senta às vezes um senhor americano de idade avançada com ar de actor de cinema, casado com uma brasileira, amigos da inglesa que conheceram através de uma cozinheira que costuma parar no bar do francês onde a dona da leitaria gosta de tomar a bica com uma fadista que é mulher do rapaz que está sempre no bar onde pára esta gente toda e outros tantos que entram e saem num espaço onde cabe toda esta a gente.

Carlos Tomé Sousa

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