O comer

Venho num Alfa a 280 à hora, o mais rápido que consegui arranjar, perseguido que venho por um exército de rojōes apoiado por uma artilharia de chanfanas. Quando chegar ao Sul peço asilo… gastronómico. Depois de uma experiência traumática com filhós e gente da Beira, fui de novo graciosamente acossado pelas gentes do norte. Quanta generosidade… calorica. Aquela gente olha-te nos olhos, coloca-te o prato à frente e toca a comer. Ainda o pequeno almoço não assentou e lá vem uma travessa de estufadinho de vitela, um coelho com fumados, uma bacalhauzinho generoso. Tudo remete para o comer, até as couves que saltaram os muros dos quintais e decorarm as avenidas aos milhares nos canteiros. Tenta-se uma desculpa, sou celíaco e tal, que disparate ninguém morre disso. Vegetariano, melhor não, a couve espreita matreira. Muçulmano, hindu ou judeu também não, há sempre uma travessinha de alheira e se não come porco, come vaca, vaca não pode, come galo do campo, campos cheio de vacas, cabras, ou seja, mais estufado e chanfana, lá vem a sanfona “quem não é bom para comer não é bom para trabalhar, quem não trabuca não manduca”… e pimba, estamos de novo à mesa.

Carlos Tomé Sousa

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