Karl Lagerfeld e Eça de Queirós


Em 2010 Karl Lagerfeld foi convidado para editor por um dia da revista francesa Madame Figaro, lançada em plena Semana da Moda de Paris em Setembro. Nada de estranhar tendo em conta o peso de Karl no mundo da moda. Por entre escolhas e grafismos mais ou menos óbvios o mais curioso nessa edição surgia umas páginas mais à frente. Anos antes de Portugal se tornar o paraíso de reformados, estilistas e futebolistas franceses já Karl Lagerfeld andava de olho há muito em Portugal mais precisamente na obra de Eça de Queiróz, um dos seus escritores favoritos. “Li o seu livro mais famoso, “Os Maias”, uma saga familiar proustiana sobre a vida em Portugal e em Lisboa no final do sec XIX. “E descobri depois por acaso outros livros dele que estou agora a ler “O Primo Basílio” e “202 Champs Elysées” que decorre em Paris onde morreu, e “O Crime do Padre Amaro”. É genial. A reeditar”, disse então.
E ao que parece este criador consagrado, dono de uma enorme biblioteca, que gostava também de editar estaria mesmo interessado em editar toda a obra de Eça de Queiroz em França. As referências a Portugal nessa revista estendem-se ainda à música, já recomendava então na secção de espectáculos “la trés grande pianiste portugaise en son domaine privé (le dernier Concerto pour piano de Mozart)…. cela ne se refuse pas”. Karl Lagerfeld morreu hoje e não consta que alguma vez tivesse considerado a possibilidade de viver em Portugal, mas fica a curiosidade neste post publicado pela primeira vez em 2010.
Carlos Tomé Sousa

The David Bowie App

On the day of his birthday David Bowie’s legacy reaches smartphones worldwide via a new app, an official augmented reality adaptation of the legendary exhibition David Bowie Is.

David Bowie is more alive than ever through the thousands of tributes to the man who would be 72 today and died at the beginning of 2016 thus making the second week of January inevitably the Bowie Week. Two years ago, he gave us a strange present on the day of his birthday, a true rise and fall of David Bowie in one go as he would leave us two days after the release of his gospel named “Blackstar”. Books, magazines, radio and TV shows all focused on the life of the most important pop icon of all times along with an exhibition which started at the Victoria and Albert Museum in London while he was still alive and took to cities like São Paulo, Berlin, Barcelona, Paris or New York. With the help of headphones that would play songs corresponding to different periods as you approached the relevant section of the exhibition, visitors had the opportunity to dive deep in Bowie’s universe, admiring some of the costumes he wore on stage, lyrics, notes and assorted pictures. Trendenz saw this very same exhibition in Berlin, where a further section was added focusing on the Bowie’s Berlin years and where he recorded some of his most important albums, and words can hardly describe the mix of sensations and emotions as we went through the different rooms.

Brooklyn was the last leg of this exhibition and for those who missed the opportunity The David Bowie Archive, Sony Entertainment (Japan) and Planeta released an App availabe as of today on IOS and Android platforms. This app features over 400 high resolution captures of David Bowie’s costumes, sketches, handwritten lyrics, notes, and more in striking immersive settings introduced and narrated by David Bowie’s close friend Gary Oldman. Nothing compares the sensation of being in a room surrounded by everything Bowie, but considering that this exhibition seems to have stopped in Brooklyn, and while no decision is made to extend it to other places and museums, you may now explore the full exhibit in the intimacy of your own environment in a stunning augmented reality app and take Bowie everywhere on our smartphone.

Carlos Tomé Sousa

Let he who is without sin cast the first stone

The picture reads “save on housing”, is part of series of glazed tiles and was taken at a bar in Lisbon one day before a business newspaper reported that a City Council member had bought and renovated a building in a traditional neighbourhood for around €350 thousand and now plans to sell it for around €5 million. So far so good, nothing new in a city that is selling its soul, its houses, gardens and whatever is there to sell. The only issue raised by nearly everyone left, right and center pertains to the fact that he was elected by a left-wing party and so therefore he incurred in the sin of capitalism, along with the fact that he has been one of voices against speculation and eviction of inhabitants from the historic centres. Not only is he now embarking on this game but he negotiated also with the tenants to leave the building which will be probably inhabited by some affluent investor.  Nobody is innocent in this story: neither the people making business selling places that will be worth far less  when the bubble finally and hopefully bursts; nor the critics who short rent a room, a house or the backyard or at least have a relative who does it; nor the government officials promising to find accommodation for tenants in need while selling at the same public buildings and whatever to the first foreigner with millions to spend. Everybody has a role in the real estate plot either as main actor or as complacent bystander. Let he who is without sin cast the first stone.

Carlos Tomé Sousa

The return of Levi’s cult brand SilverTab

SilverTab, one of the most cherished subrands launched by Levi’s in 1988 is making a comeback this year.

Levi’s is here with an extensive collection with a strong street style inspiration. Everything goes as long as you feel comfortable. The new autumn collection mixes high fashion and streetwear and the 1980’s with the 2000’s just to mention a few of the leitmotifs of the new Levi’s® Red Tab collection.

But the brand has something new coming and when we refer to streetwear the word counterculture comes with it. The big news this year is the return of SilverTab™ which the brand claims will be bigger than ever. Introduced in 1988 Silver Tab collection was a sub-brand that was there to attract the Hip Hop, raver and grunge generation. Until recently they were unfortunately only available in the USA and in selected vintage stores. At a time when phones are becoming increasingly bigger and hence the need for bigger pockets, skaters grow in numbers and rave has made a comeback these super loose jeans are here for the killing and appeal to a whole new generation and to an older generation who still cherish these baggy models. Along with baggy models SilverTabs features also some regular less baggy models and assorted apparel from jacket to shirts. Welcome back Silvertab.

Carlos Tomé Sousa

 

 

 

O tempo tem o tempo que o tempo tem

O tempo nada tem que ver com isto tudo mas tem tudo a ver com as festas do Lux que recuperam e misturam o tempo que é de todos ao mesmo tempo.

Something happened on the week he died e a primeira palavra que vem à cabeça é gratidão. Uma semana depois da morte desse personagem maior que é David Bowie, Manuel Reis, uma figura ímpar na noite de Lisboa e que tantas saudades deixa congregava todos para uma festa de homenagem ao ídolo maior da maioria dos seus clientes do Lux e do Frágil. Um pouco por todos os andares do Lux ouvia-se Bowie, cantava-se Bowie, dançava-se Bowie numa celebração emocionada. “Isto somos nós”, dizia-me Rita ao ouvido por entre o som de “Somebody up there likes me”. E éramos, somos. Aqui na terra celebrava-se o homem e a obra graças à generosidade ímpar de um homem que abrira as suas portas e o seu bar para aquela quer terá sido a melhor festa de homenagem a Bowie. Agradeci-lhe emocionado. “Isto é para vocês”, respondeu-me. Era assim, fazia coisas bem pensadas a pensar em nós. A produção foi exemplar, dos fatos às pinturas dos funcionários, passando pelos vídeos e sets dos muitos DJs que responderam à chamada.

Estava inaugurada assim mais uma série de festas de Domingo com o simpático horário das 18 à 1 da manhã.  Meses depois seria a vez de mais uma festa, desta vez sob o signo do Mecenato para angariar fundos para a compra do quadro “A Adoração dos Magos” de Domingos Sequeira para o Museu Nacional de Arte Antiga e uma vez mais foram muitos os que acorreram para mais uma festa de produção exímia, a que se seguiria uma outra para celebrar a vida e obra de Grace Jones, esse felino da pop, da moda, da imagem.

Dois meses depois da morte de Manuel Reis, o seu legado continua no Lux e eis que volta mais uma festa de Domingo desta fez sob o lema de “Take me to the river”, tema incontornável do cancioneiro americano composto por Al Green e que os Talking Heads interpretaram magistralmente. “Existe o rio, as águas que passam mansas porque aqui o leito é profundo. Existem as paredes firmes do edifício que tapam os teus furacões, que escondem pessoas que se perdem e que não querem ser encontradas, que condensam o familiar suor de desconhecidos.Existem as portas e as janelas que numa tarde se abrem para a claridade branca.” Reza assim o texto desta festa que tal como as anteriores promote revisitar o tempo sem esquecer este tempo, uma festa que pelo horário, pela selecção musical promote ser mais um encontro de gerações, de sons e de visões partilhadas. Como dizia há pouco um amigo e assíduo frequentador do Lux, “vamos ver gente da nossa”.

Carlos Tomé Sousa